Friday, October 07, 2005

VOTO1 - VOTO NÃO

por Maria Lucia Victor Barbosa, socióloga

Muito já foi dito e escrito sobre o referendo do desarmamento que será realizado em 23 de outubro. Os artigos mais inteligentes, bem fundamentados, lógicos são contra essa agressão do governo a liberdade individual. Não vou repetir estatísticas e argumentos que já foram usados, em que pese a força e a racionalidade dos muitos dados e citações apresentados, apenas expressarei minhas convicções.Entendo que o sim ao desarmamento é mais uma empulhação governista. Visa ampliar o domínio Lula/PT sobre a sociedade, seguindo o rastro do companheiro ditador Fidel Castro. Objetiva também distrair as atenções do desfile de falcatruas e crimes perpetrados por excelentíssimas autoridades, que ofertam o maior escândalo de corrupção que o país já viu.O desarmamento da população terá a adesão de ingênuos bem-intencionados, de amantes da paz que costumam serem violentíssimos em suas manifestações, de incautos românticos adeptos do açucarado bom-mocismo, de otários totalmente desinformados e, sem dúvida, dos bandidos. De modo que receio estar diante da maioria. Que eu seja desmentida. Espero estar completamente equivocada. Que a Nação se insurja contra mais esse desmesurado intrometimento que estatiza a liberdade e extingue o direito de defesa da vida, do patrimônio e da família, em suma, da legitima defesa que cada cidadão possui constitucionalmente. Lembremo-nos ainda, de que é muito raro surgir alguma coisa que nos beneficie quando o Estado se imiscui em nossa vida particular. A menos, é claro, que você seja compadre do governo, companheiro dileto dos poderosos de plantão. Nesse caso, um bom emprego e regalias inerentes ao cargo serão garantidos a você, seus familiares e amigos. E aí está o governo do PT que não me deixa mentir. Compreende-se, pois, que para os apaniguados é vital a continuidade no poder de sua excelência, Luiz Inácio, que em sua eterna campanha, está sempre a frisar que só poderá mostrar a que veio em 20 ou 30 anos. Tanto tempo de governo petista requer uma população desarmada, portanto, indefesa; desinformada, porque nutrida pela propaganda enganosa; dependente de esmolas oficiais que mantém os pobres sempre pobres, as classes médias embasbacadas, os ricos contentes com os lucros auferidos no marxismo de mercado do maior governo de esquerda da América Latina, que age como direita e só pensa no lado de cima.Quando me lembro de que quase 53 milhões de brasileiros acreditaram piamente na redenção do Lula-lá, e que muitos desses estão dispostos a reeleger o governante que tudo prometeu e nada cumpriu, me perpassa como clarão sinistro essa idéia de que o sim ao desarmamento pode vencer. Mesmo porque, muitos pensam que através da proibição do uso de armas de fogo a violência será extinta. Algumas pessoas até poderão dizer que haverá grande liberdade uma vez que não estão incluídos na proibição facas, tesouras, canivetes, agulhas de tricô, empurrões em escadas e os próprios punhos de cada um. Além do mais, podem argumentar os favoráveis ao desarmamento, que nem todos estão proibidos de portar armas. Continuarão totalmente livres para andarem armados até os dentes os bandidos e os sem-terra. Recorro também ao pensamento de Henry Louis Mencken, para justificar minha apreensão relativa a vitória do sim. Disse o genial jornalista norte-americano: “o que não é verdade, como todo mundo sabe, é imensamente mais fascinante e satisfatório para a maioria dos homens do que o que é verdadeiro”. E diante do frisson causado pelo referendo, que como em toda escolha popular oferece às pessoas o prazer de apostar como em corridas de cavalos, cito mais uma vez a H.L. Mencken: “O homem comum funcionando como cidadão, tem a sensação de que é realmente importante para o mundo – de que é ele que administra as coisas”. Ele não percebe, acrescento eu, o quanto é manipulado e serve a interesses que não são os seus.Se ganhar o sim, terei a certeza de que vivemos num sistema político que bem poderia ser chamado de babacocracia. Afinal, ninguém contesta o governo que, tentando atribuir ao povo a responsabilidade pela violência, falha miseravelmente em sua missão maior que é a de dar segurança. Segurança é obtida em primeiro lugar com leis aplicadas rigorosamente segundo o princípio da isonomia, o que exclui advogados de porta de palácio que julgam de acordo com os interesses dos poderosos do momento; com policiais bem armados, bem treinados, inclusive, psicologicamente, e bem pagos; com mais presídios (onde estão os 12 presídios de segurança máxima que foram prometidos? Dinheiro não falta, conforme se viu na eleição de Aldo Rebelo), com métodos de reabilitação de presos; com oportunidades de vida mais digna, o que inclui trabalho.Parece que ninguém está cobrando maior eficiência do governo para acabar com a violência. Em vez disso, corremos o risco de irmos para o matadouro como boiada que ignora seu destino. Por essas e por outras, voto 1, voto não. Chega de enganação.