Thursday, October 20, 2005

Situação de liberdade de imprensa piora no Brasil, diz ONG

Situação de liberdade de imprensa piora no Brasil, diz ONG

Paris - O Brasil caiu três posições na classificação de liberdade de imprensa da ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF), organização com sede em Paris cujo objetivo é lutar pela liberdade de imprensa no mundo e pela defesa de jornalistas e veículos de comunicação vítimas de repressão e ameaças. Segundo a entidade, no Brasil "a imprensa continua exposta a violentas represálias".

Cuba segue no final da lista na América Latina e no Caribe, enquanto o México tirou a Colômbia do segundo lugar nos países do continente, segundo a classificação publicada pela RSF.

Buracos negros - A organização considera Coréia do Norte, Eritréia e Turcomenistão como "autênticos buracos negros da informação", por isso ocupam os últimos posições entre os 167 países analisados desde setembro de 2004.

Cuba, que no ano passado ocupou o penúltimo lugar, passa a ser a sétima pior colocada, "mas não porque a situação da imprensa melhorou na ilha, e sim porque em outros países ela se deteriorou ainda mais", segundo a RSF.

Com relação ao ano passado, o regime de Havana encarcerou mais dois jornalistas, que se somaram aos 21 que permanecem presos após a brutal repressão de março de 2003.

O México sofreu uma queda de quase 40 postos na classificação mundial por causa da deterioração da liberdade de imprensa nos Estados fronteiriços com os Estados Unidos, onde se viveu um "abril negro" onde, em uma semana, foram assassinados dois jornalistas e um terceiro desapareceu.

Na Colômbia, a influência do narcotráfico e da corrupção deixou um jornalista assassinado, sete exilados e freqüentes ataques a meios de comunicação.

Locais de risco - A RSF também chamou a atenção sobre o Peru, onde apesar de não ter acontecido nenhuma morte de jornalista, "os atos de violência alcançam proporções vertiginosas", com cerca de 30 casos registrados e outros tantos de ameaças.

A queda do regime de Jean-Bertrand Aristide no Haiti, em fevereiro de 2004, permitiu uma melhora da situação da imprensa no país caribenho que, no entanto, continua sendo um "local de risco" para os jornalistas, como demonstra o assassinato de um profissional em 2005.

O melhor classificado da América Latina e do Caribe continua sendo Trinidad e Tobago, que ocupa o 12º posto mundial.

A RSF destacou a situação de El Salvador, onde a democracia, "ainda frágil após muitos anos de guerra civil", não impediu que ocupe o segundo posto do continente e o 28º do mundo.

Argentina sobe 20 posições - Costa Rica, Bolívia, Uruguai e Chile continuam nos primeiros postos da América Latin. Nestes países, os atentados à liberdade de imprensa se resumem a atos de intimidação. A Argentina subiu 20 posições com a diminuição de agressões a jornalistas, melhorias em matéria de preservação das fontes e a suavização dos delitos de imprensa.

Na Europa, a Espanha perde um posto e fica em 40º lugar, o que se explica sobretudo pela persistência das ameaças do grupo terrorista ETA a jornalistas. A classificação da organização identifica três grandes regiões onde a liberdade de imprensa encontra mais dificuldades: Ásia Oriental (com Birmânia, China, Vietnã e Laos na liderança), Ásia Central (com Turcomenistão, Usbequistão, Afeganistão e Casaquistão) e Oriente Médio (com Irã, Iraque, Arábia Saudita e Síria).

Retrocessos - O caso iraquiano é particular, já que a situação da imprensa piorou este ano e a segurança dos jornalistas se degradou. Desde o início da guerra, em 2003, morreram 72 jornalistas e colaboradores, o que transforma este conflito o pior para os jornalistas desde a Segunda Guerra Mundial.

Algumas democracias ocidentais retrocederam, como os Estados Unidos, afetado pelo caso de Judith Miller, presa por se negar a revelar uma fonte; Canadá ou França, onde meios de comunicação foram revistados, jornalistas presos e onde foram criados novos delitos de imprensa.
OGlobo