Wednesday, October 19, 2005

NOTA

NOTA DO BLOCO PARLAMENTAR PSDB/PFL

O bloco parlamentar PFL/PSDB denuncia à Nação a montagem da farsa comandada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por seu Coordenador Político, Ministro Jacques Wagner, pelo PT e seus dirigentes para reduzir o escandaloso esquema de corrupção sistêmica descoberto no Governo e no Partido à simples arrecadação de recursos para campanha eleitoral, o que seria no entender deles todos, prática corrente e, portanto, justificável.

A senha para essa cínica versão foi dada pelo próprio Presidente da República, em julho, em Paris, em entrevista exclusiva, afirmando que tudo não passava de uso de recursos de campanha "não contabilizados", algo, segundo ele, "feito no Brasil sistematicamente". É de estarrecer que o supremo mandatário do País despreze um dos pilares da Democracia e do Estado de Direito, a obediência à lei, justificando gravíssimo crime eleitoral! E orquestradamente, no mesmo momento em que Marcos Valério e Delúbio Soares, no Brasil, "coincidentemente", faziam declarações semelhantes.

Agora é o Presidente-eleito do PT, Deputado Ricardo Berzoini, que, na esteira do "chefe", tenta incutir na opinião pública que todo os escândalos que rondam o Governo Lula e o seu partido não passariam de pequena ilegalidade, de uso de recursos de Caixa 2, coisa, para ele, "do folclore político". Ao mesmo tempo, aquele sobre quem os petistas jogam toda a responsabilidade pelo esquema, Delúbio Soares, pouco preocupado com a iminência de sua expulsão do partido - outra farsa, certamente - ainda tripudia, declarando que tudo vai acabar virando "piada de salão".

Se apenas se cuidasse de Caixa 2, de recursos de campanha "não contabilizados", já seria grave a forma desprezível com que esse crime eleitoral - gravíssimo, repita-se - é tratado por quem tem o dever de dar o exemplo no cumprimento das leis: o Chefe da Nação. Mas não é disso que se trata. Não se trata de contribuições de pessoas físicas ou jurídicas não incluídas nas prestações de contas à Justiça Eleitoral, o que constitui infração eleitoral e penal, com repercussão na vida partidária e possível perda de mandatos conquistados. Não se trata de recursos de origem privada e destinados de forma ilícita à campanha eleitoral.

O País está diante do mais vasto e escabroso esquema de corrupção sistêmica implantado no Governo e em partidos políticos jamais visto em toda a sua História. Isto nada tem a ver com Caixa 2. Tem a ver com corrupção, desvio e apropriação de recursos públicos. Tem a ver com compra de votos e de legendas partidárias. Tem a ver com um projeto de permanência no poder a qualquer custo. O eficiente trabalho já realizado pelas CPIs, apesar das incessantes dificuldades criadas pelo Governo Lula, comprovou tudo isso. Comprovou o funcionamento de uma poderosa máquina, operada por Marcos Valério e Delúbio Soares, com o óbvio conhecimento da cúpula petista e do Palácio do Planalto, com destaque para o então todo-poderoso Ministro-Chefe da Casa Civil, Deputado José Dirceu, o "Capitão do Time" do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ficou comprovado que boa parte dos recursos que alimentavam o "valerioduto" provinha de empresas estatais e de fundos de pensão. Falta descobrir a fonte externa, de onde vieram recursos para pagar a custosa propaganda eleitoral do PT e do Presidente Lula, como confessado por quem a dirigiu, o marketeiro Duda Mendonça.

É o esquema de corrupção, de assalto aos cofres públicos que o PT transplantou de Prefeituras que comandava, como as de Ribeirão Preto e de Santo André - que, por sinal, assombra e atemoriza o Governo Lula, pelo desdobramento das investigações que o Ministério Público conduz em torno do assassinato do Prefeito Celso Daniel.

O bloco parlamentar PFL/PSDB não admitirá que prospere essa tentativa de confundir a opinião pública, de reduzir todo o imenso mar de lama, todo o assalto aos cofres públicos, à "folclórica" Caixa 2 de campanha, para livrar o Presidente Lula da sua responsabilidade. O Senhor Presidente da República ofende a nação indignada ao assumir essa farsa, recebendo em pleno Palácio do Planalto os petistas ameaçados de cassação, em sinal de explícito desagravo. Os reais mentores e operadores dos desvios de recursos públicos estão longe de ser julgados. Nem foi esclarecido o verdadeiro papel de cada um, a começar pelo Presidente da República. Nenhuma meia verdade ou versão forjada pelo Governo haverá de desviar o bloco parlamentar PFL/PSDB do compromisso de levar à população brasileira todos os detalhes dessa lamentável verdade.

Este é o nosso dever e dele não nos afastaremos.

Brasília, 19 de outubro de 2005.

Senador ARTHUR VIRGÍLIO
Líder do PSDB

Senador JOSÉ AGRIPINO
Líder do PFL

Deputado ALBERTO GOLDMAN
Líder do PSDB

Deputado RODRIGO MAIA
Líder do PFL