Tuesday, October 25, 2005

Mantido o quadro atual do governo Lula, o senador Efraim Morais (PFL-PB) previu que nas eleições de 2006 o "não" que venceu o referendo sobre o comércio de armas, retornará mais contundente ainda. Para Efraim, a maioria que disse "não" nas urnas diz não também ao governo Lula, uma vez que a lei do desarmamento remetia ao Estado a missão de desarmar a sociedade, e a sociedade associa o Estado ao governo, que é o seu gestor.
- A verdade é que somente agora as camadas mais desassistidas da população, com menos acesso à informação e menos recursos para decodificá-las, começam a perceber a responsabilidade do presidente Lula nas denúncias de corrupção que há quase cinco meses ocupam os principais espaços da mídia - afirmou.
Efraim assinalou que o Instituto Datafolha apurou um aumento de quatro pontos percentuais, entre agosto e outubro, no índice dos que atribuem a Lula "muita responsabilidade" nos casos de corrupção, especialmente entre a população que tem renda e escolaridade. A mesma pesquisa, acrescentou, aponta uma redução de sete pontos no índice dos que acham que o presidente da República não tem nenhuma responsabilidade nos casos denunciados. Além disso, ressaltou, chega a 81% o índice dos que consideram o governo Lula corrupto.
O senador disse também que o governo não fez um gesto sequer para mostrar empenho em punir os seus integrantes acusados de corrupção.
- Somente agora, passados cinco meses das denúncias, o PT expulsou Delúbio Soares e o fez em visível constrangimento, depois de negociar por meses o seu silêncio - afirmou.
Efraim destacou ainda a coerência de petistas que classificaram como hipocrisia o fato de a punição ter atingido apenas o tesoureiro do PT e não os demais membros da Executiva do partido.
- É ingenuidade supor que Lula nada sabia a respeito do que se passava em seu partido na gestão Delúbio-Marcos Valério. Era em sua ante-sala que Delúbio e Sílvio Pereira geriam os interesses do PT. E lá, na gestão José Dirceu, foi que Marcos Valério marcou presença, algumas vezes conduzindo banqueiros das instituições envolvidas no escândalo que ficou conhecido como "valerioduto" - acrescentou. O líder da minoria, senador José Jorge (PFL-PE), disse que finalmente o PT tomou a providência, com um atraso de seis meses, de expulsar o tesoureiro Delúbio Soares, "um réu confesso". José Jorge frisou que ainda é "muito pouco", pois o PT não puniu os demais membros envolvidos nas denúncias de corrupção.
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