Saturday, October 08, 2005

DIOGO MAINARD - O GRANDE EXPURGO

Diogo Mainardi
O grande expurgo

"Lula está morto. Mas o petismo sobrevive. Se soubermos aproveitar a morte política deLula para enterrar definitivamente o petismo,o país sairá um pouco menos emburrecidodessa enrascada em que se meteu"
Depois de derrubar Lula, não quero uma medalha, não quero uma estátua eqüestre, não quero que me cubram de dinheiro. Meus desejos são mais singelos. Quero que me chamem para comandar o grande expurgo do petismo na imprensa.
Minha primeira medida será eliminar, para sempre, qualquer notícia sobre figuras como Hélio Bicudo. Ele errou em todas as suas escolhas políticas. Não estou interessado em conhecer as atuais escolhas políticas de um velhinho que, até hoje, só errou. Claro que Hélio Bicudo é apenas um exemplo. Minha lista de personagens proscritos é longa e abrangente. Os petistas estão em todos os lugares. Tomaram conta de tudo. Os jornais cismam em perguntar o que eles pensam sobre os mais variados assuntos. Mesmo que, comprovadamente, eles não pensem nada que valha a pena. É o caso de Luiz Eduardo Soares. Qualquer reportagem sobre a criminalidade precisa contar com sua opinião, embora ele tenha fracassado em suas inúmeras passagens pelo governo, municipal, estadual ou federal. Não vejo o menor motivo para consultá-lo sobre o tema. Mas lá está ele, agora mesmo, pontificando sobre o desarmamento.
É um erro confundir o petismo com o PT. O petismo é muito mais danoso e muito mais antigo que o PT. Há pelo menos sete décadas ele atrofia o pensamento nacional. Há pelo menos sete décadas ele condena o país ao atraso. É preciso erradicar o petismo das cartilhas escolares, do comércio agrícola, da pesca submarina, da Fiesp, da Febraban, do PSDB. Do meu lado, posso ajudar a erradicá-lo da imprensa. Tenho olho para petistas. Consigo identificá-los até pelo cheiro. Mostre-me um artigo de Luiz Garcia, e eu saberei lhe dizer exatamente como, quando e onde ele é petista. Outro dia, um sindicato de jornalistas protestou porque, em tom de blague, eu disse que doaria dinheiro a Pat Robertson, o pastor americano que defendeu o assassinato de Hugo Chávez. Minha maior alegria, no campo profissional, é saber que estou tirando o emprego de um desses jornalistas petistas.
Não que a batalha seja fácil. O petismo contaminou todas as áreas da imprensa, das charges políticas às páginas esportivas. Até o horóscopo é petista. Marcelo Madureira me deu de presente um livro intitulado O Governo Lula e os Astros. Foi publicado em 2003. Nele, a astróloga petista Bárbara Abramo, do jornal Folha de S.Paulo, fazia suas previsões sobre o futuro do Brasil. Ela garantia que Lula e José Dirceu conseguiriam "mudar o país", promovendo melhorias "dignas de nota na educação, na saúde, no meio ambiente". A entrada do Sol em Áries daria origem a "um novo jeito brasileiro de ser, resgatando riquezas culturais da floresta, das populações esquecidas por este Brasilzão de meu Deus". Eu não quero o resgate das riquezas culturais da floresta. Quem quer o resgate das riquezas culturais da floresta é Aldo Rebelo.
Lula está morto. Mas o petismo ainda sobrevive. Se soubermos aproveitar a morte política de Lula para enterrar definitivamente o petismo, o país sairá um pouco menos emburrecido dessa enrascada em que se meteu. Prometo cumprir minha parte.