Saturday, October 15, 2005

CASSAÇÃO DE DIRCEU

Cassação de Dirceu será pedida 3.ª feira Relator Júlio Delgado deve incluir no processo últimas denúncias de tráfico de influência para favorecer o filho Zeca Dirceu
Denise Madue‡o
O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), relator do processo contra o ex-ministro e deputado José Dirceu (PT-SP) no Conselho de Ética da Câmara, disse ontem que não precisa de provas materiais para pedir a cassação do petista, pois o processo é mesmo político. Ele passará o fim de semana concluindo o relatório e, na terça-feira, vai propor que Dirceu perca o mandato por quebra de decoro.
"Estamos trabalhando em um processo político, sobre a atitude de atentado ao decoro. Há uma distinção entre crime comum e falta de decoro. É uma distinção entre a questão política e a jurídica", afirmou Delgado. Ele disse que os depoimentos confrontados com os documentos podem se constituir em provas materiais no processo. "Testemunhos podem se constituir em provas ou não", argumentou Delgado. O relator evitou adiantar o teor de seu relatório, mas parlamentares próximos a ele informados do conteúdo do processo garantem que Delgado pedirá a cassação de Dirceu.
O deputado deverá pedir a cassação de Dirceu. Ontem, o relator recebeu mais documentos que analisará neste final de semana para incluí-los no processo. Segundo ele, são dados de agenda, depoimentos e cruzamento de quebra de sigilo. "Estamos consolidando várias teses", afirmou o relator. O pedido de cassação de Dirceu apresentado pelo PTB argumenta que o deputado fez tráfico de influência junto a bancos e contribuiu para fraudar votações na Câmara.
No relatório, Delgado deverá incluir as últimas denúncias de que Dirceu fez tráfico de influência para favorecer o seu filho, Zeca Dirceu, prefeito de Cruzeiro do Oeste (PR). A inclusão do caso, no entanto, não servirá para pedir a cassação de Dirceu, segundo argumentou o próprio relator. "O caso do filho dele pode ser levantado, mas não pode ser usado como prova de eventual pedido de perda de mandato", disse Delgado. "Posso garantir que o fato está na parte da fundamentação. Se vou citá-lo ou não no parecer ainda não decidi", completou o relator.
Estadão