Thursday, October 13, 2005

BRIGA DE FOICE!

Para Stédile, do MST, Palocci é o culpado pela aftosa

Belo Horizonte - O coordenador nacional do Movimento dos Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, engrossou hoje as críticas à área econômica do governo federal após a descoberta de um foco de aftosa no Mato Grosso do Sul. Para ele, "o caso da aftosa é outra ponta do iceberg" da falta de investimentos em programas dos quais dependem a população. Sobre a suspeita de que assentamentos do MST localizados em municípios vizinhos a Eldorado podem representar a origem da doença, ele disse que agora "não importa perguntar aonde começou o foco".
O líder sem-terra destacou que a aftosa é uma doença endêmica em qualquer rebanho do País e a única forma de controlá-la é realizar um trabalho sistemático de vacinação preventiva. E disparou contra o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que, segundo ele, é quem "está mandando" no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Por que faltou dinheiro para a prevenção sanitária dos animais? Estava lá no orçamento, R$ 160 milhões. (Faltou) Porque o seu Palocci prioriza apenas pagamento de juros. Então os bancos já receberam R$ 100 bilhões este ano. E os programas de que dependem a população receberam 5%, 10% do que estava previsto no orçamento", disse Stédile, que participou pela manhã da abertura do Fórum Social Mineiro, em Belo Horizonte.
Vaca presa a carcaça de fusca na beira BR 163 na cidade de Eldorado. Especialistas dizem que o chamado "gado de corda" que não possui pasto próprio pode ser um grande disseminador da doença
Na manhã de hoje, o presidente Lula garantiu, em Portugal, que não faltaram recursos para a fiscalização sanitária. E afirmou que o principal responsável pela sanidade do gado é o dono do rebanho. Disse ainda que vai pedir ao Congresso que apresse a votação de um projeto de lei, já em tramitação, que proíbe os criadores que não vacinam seus rebanhos a ter acesso a financiamentos oficiais por três anos.
Críticas à política econômica
Fazendo coro aos ataques à "omissão" do governo federal em relação à defesa sanitária do rebanho brasileiro - curiosamente, a exemplo do que fez recentemente a União Democrática Ruralista (UDR) -, o principal líder do MST afirmou que "os únicos que estão felizes com essa política econômica são os bancos e as multinacionais".
"Todos os outros estão pagando o pato", observou. "O caso da febre aftosa veio à tona porque os animais são dos ricos. Mas isso está acontecendo na reforma agrária, está acontecendo na saúde, está acontecendo na educação - as universidades federais paradas porque não têm dinheiro -, porque a prioridade do seu Palocci é pagar juros".
Ao disparar novamente contra a política econômica do governo Lula, Stédile lembrou a comparação feita pelo vice, José Alencar. "A sociedade brasileira, toda ela, está perplexa com a manutenção da política econômica. Todo mundo está criticando. Até o vice-presidente da República, (que) foi eleito com o Lula, disse semana passada que o Lula se abraçou com o diabo".
O coordenador nacional do MST defendeu a mudança do modelo, "para que os recursos públicos sejam utilizados para resolver os problemas da sociedade". E disse que o País vive uma "tragédia social" e um "tsunami neoliberal". "Nunca o Brasil teve 12 milhões de adultos desempregados e 15 milhões no trabalho informal, que dá 27 milhões de pessoas fora do processo produtivo. Isso é uma tragédia social . Isso é um tsunami neoliberal que se abateu sobre o povo brasileiro".
Na sua opinião, a administração federal petista não vive uma crise de governabilidade ou de ética, mas "uma crise de projeto para o País", resultado da manutenção das diretrizes econômicas do governo anterior. "É uma crise de destinos. A sociedade brasileira não sabe para onde ir".