Friday, October 14, 2005

BRASILEIRO IRRITA!

Por Gustavo Durden

Sabe aquele sujeito selvagem? O típico brasileiro feliz, simpático e hospitaleiro? Pois nada, realmente, é mais irritante do que esse tipo de organismo.

Ele tem o costume insuportável da pegação. Adoram pegar em você, cutucar. É muito desagradável. Você encontra a pessoa e lá vem aperto de mão, abraço. Beijo se for uma lady. E não um ou dois, geralmente, querem três (TRÊS). Esse costume começa quando somos crianças: sempre tem aquela senhora idosa para apertar sua bochecha e dizer alguma gracinha, preferencialmente lhe babando todo. A partir daí eles querem pegar em tudo mesmo: no seu pé, na sua carteira, em sua bolsa e na sua bunda, é claro.

Tem o animadinho que entra assoviando no elevador. O que puxa conversa em fila. O que mexe com a sua mulher. O que o cumprimenta na rua, mesmo você sabendo que nunca viu mais gordo ou magro. É um excesso de participação e faceirice sem proporções. Nossa informalidade nos coloca no mesmo patamar de selvagens senegaleses. Torna-nos indomáveis em qualquer circunstância.

O brasileiro é barulhento. Nossa civilidade não incluí o silêncio. É tanto ruído em nossas cidades que mal se pode conversar dentro de casa. Compare a buzina de um carro nacional com a de um importado, as nossas são absurdamente mais altas. Carro de brasileiro tem que possuir uma sonorização mega acompanhada de um mau gosto musical de fazer inveja a qualquer paraguaio. E que vem, lógico, com seu dono, um jeca. Som em automóvel e bom gosto musical definitivamente não combinam por aqui.

Não é a toa que nossas preferências são futebol e carnaval. Em um jogo de futebol. seja no estádio, em casa, ou reunidos em um bar para não pagar o pay-per-view, o brasileiro tem toda a liberdade para assumir seu lado selvagem sem limites. O mesmo ocorre em maior grau ainda no carnaval, onde vale tudo. O problema é que essa falta de civilização é levada para fora do estádio e da avenida: seguimos estúpidos fora deles.

O brasileiro gaba-se de suas praias e adora freqüentar o litoral -- outro lugar onde se exercita o pior da educação bananeira. Faz-se de tudo na areia da praia: lanche, almoço, churrasco, cerveja, cachorros defecando e entrando no mar com seus donos igualmente sujinhos. Um cenário terrível. Sem falar na cultura de pedreiros. Basta o desfile de qualquer bunda e já se ouvem os mais finos adjetivos. Uma maravilha dos trópicos.

A falta de educação atinge níveis realmente insuportáveis quando o selvagem vai a um restaurante. Claro que ele leva junto os macaquitos. Nada é pior do que ir a um restaurante e ter crianças manifestando-se ao seu lado. Afinal, você foi ao recinto para fazer uma boa refeição, conversar com seus amigos ou sua namorada num tom de voz agradável. E não para ver pirralhos fazendo nojeiras ao lado e correndo entre as mesas com os jecas de seus pais a aplaudir.

Isso lembra o nosso jeca comandante -- eu tentei mantê-lo longe, mas como falar de jecas e não citar o maior? Ele é como a criança no restaurante, fazendo uma idiotice atrás da outra. E os pais -- nós o povo -- aplaudindo a besta e seus discursos improvisados. Bem ao nosso gosto, informais até na presidência. No fim, somos o pior. Um improviso irritante.