Thursday, October 06, 2005

Assessor de Lula vê "orquestração" contra ele na CPI

O chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho reiterou nesta quinta-feira, por meio de assessores, que "não são verdadeiras" as declarações do professor universitário Bruno Daniel, irmão do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, assassinado em janeiro de 2002. "Reafirmo que são falsas todas as acusações que têm sido dirigidas de maneira orquestrada contra mim", informou ele.

Bruno Daniel declarou na CPI dos Bingos, que ouviu de Carvalho, quando este ainda era funcionário da prefeitura de Santo André, que acreditava na ligação do crime com o esquema de extorsão então existente na prefeitura daquela cidade do ABC paulista e que Carvalho era o encarregado de entregar o dinheiro arrecadado com o esquema nas mãos do então presidente do PT, José Dirceu.

O depoimento de outro irmão de Celso Daniel, considerado mais convincente que o anteriormente dado pelo médico João Francisco Gabriel, ampliou a preocupação do governo que vê, na atuação da CPI dos Bingos, objetivo claro de atingir o presidente Lula neste momento que a crise está arrefecendo.

Carvalho é uma das pessoas mais próximas a Lula e uma das pessoas que ele mais ouve neste momento, em que está muito isolado e deixando de lado antigos interlocutores. Por isso, o governo entende que atacar o chefe de gabinete significa atingir Lula.

Acareação

Outra questão que está preocupando o governo é a acareação que foi marcada para o dia 26 de outubro. Interlocutores do Planalto entendem que este tipo de procedimento, a ser realizado no Congresso, na frente das câmeras, provocará uma exposição muito grande do chefe de gabinete de Lula e, em última instância, do próprio presidente.
Na avaliação do Planalto, apesar de as CPIs não estarem encontrando nada contra o governo, eles estão conseguindo causar um desgaste e um constrangimento, que atinge a todos e também ao partido.
Nesta quinta, durante todo o dia, Carvalho insistia ainda o que já havia dito em nota oficial emitida no início de setembro, por conta do depoimento de João Francisco Daniel, o outro irmão de Celso Daniel, à CPI dos Bingos, quando assegurou que, "em nenhum momento" afirmou a ele que levou qualquer importância em dinheiro ao deputado federal José Dirceu.
O chefe de gabinete considera que o que está sendo repetido agora "representa, com pequenas modificações, declarações que já haviam sido publicadas inúmeras vezes desde junho de 2002", quando procurou o Ministério Público, em Santo André.
De acordo com assessores, Carvalho não assistiu ao depoimento do professor universitário Bruno Daniel, na Câmara dos Deputados.