Tuesday, October 11, 2005

AFTOSA NO CENTRO-OESTE

Aftosa no Centro-Oeste coloca exportação de carne em risco
Mauro Zanatta, Alda do Amaral Rocha e Marli Lima De Brasília, São Paulo e Curitiba
A descoberta de um foco de febre aftosa em Eldorado (MS), pode colocar em risco as exportações brasileiras de carnes bovina e suína. O maior temor é quanto à Rússia, principal cliente do Brasil, e que, no ano passado, chegou a embargar as compras de carne de todo o país após a descoberta de um caso da doença na região amazônica.
O foco no Mato Grosso do Sul, que tem o maior rebanho bovino do país, também expôs as dificuldades do governo federal para lidar com o problema. O Estado não recebeu este ano nem um centavo dos recursos federais para o combate à aftosa. Do orçamento inicial de R$ 65 milhões para a erradicação da doença em todo o país, apenas R$ 35,3 milhões foram mantidos. Até agora, só foram efetivamente gastos R$ 553,4 mil, ou seja, houve desembolso de apenas 1,57%.
Sem registro de aftosa desde 1999, o Mato Grosso do Sul, responsável por exportações de US$ 227 milhões de janeiro a agosto, ficará pelo menos seis meses fora do mercado internacional.
A confirmação da doença também complica a situação dos Estados vizinhos - Paraná, São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais.
Ontem, foram interditadas a fazenda onde estavam os 153 animais doentes e propriedades em seis cidades num raio de 25 quilômetros - Eldorado, Itaquiraí, Japorã, Iguatemi e Mundo Novo. Os três frigoríficos desses municípios já estão impedidos de exportar carne bovina. Em viagem pela Dinamarca, um dos sócios da fazenda, Luiz Henrique Vezozzo, disse ao Valor, por telefone, desconfiar de fraude, porque sempre fez "todo o manejo sanitário da propriedade".
Valor Online