Monday, September 05, 2005

MANTER OS ANÉIS OU SALVAR OS DEDOS

MANTER OS ANÉIS OU SALVAR OS DEDOS
Por Paulo Carvalho Espíndola
O Partido dos Trabalhadores sempre se arvorou em ostentar a primazia da moralidade e a postura de intransigente guardião da probidade.
Acostumamo-nos a ver a bandeira do petismo, frenética e ruidosamente agitada, todas as vezes que se fez necessário clamar-se por mudanças no degradado cenário político-administrativo brasileiro. Boa parte da sociedade, sem lideranças ou palavras-de-ordem a polarizá-la, permanecia inerme e dominada por um crescente sentimento de inferioridade que a tornava quase crédula de que os quadros petistas, realmente como alardeiam, detêm a pureza de propósitos e a magia das soluções.
Cada vez mais silencioso, o povo brasileiro assistia, passivo, aos destemperos de ativistas que lhe calavam a voz, aproveitando-se do modismo suicida do é proibido proibir. Parcela da Igreja, sacramentada de vermelho, resolveu libertar de Cristo os oprimidos e substituiu o cajado pela foice, trocando o rebanho de irmãos na fé por camaradas da fé política. Forças Armadas por quê, se não há inimigos externos a enfrentar e se internamente somos todos irmãos brasileiros? Polícia Militar não é mais necessário, pois a "sociedade civil" prescinde de qualquer aparato a lembrar os "anos de chumbo", uma vez que hoje as manifestações de rua são "pacíficas e democráticas".
Violência passou a ser sinônimo da ação policial no "desrespeito" aos direitos humanos e na repressão aos "movimentos sociais", enquanto que invadir propriedade privada, seqüestrar, saquear, destruir patrimônio, e negar o direito de ir e vir tornaram-se instrumentos do esforço de buscar uma "sociedade igualitária".
O PT passou a sacralizar a violência, ungida pelo clero vermelho, se praticada em seu nome e para os seus fins. Os próceres petistas não se furtaram a visitar presídios, na explícita solidariedade a bandidos "chacinados", a seqüestradores políticos ou a invasores de terras. Seus rábulas tornaram-se alvos favoritos das câmeras e das luzes da mídia, pouco se importando se as suas pantomimas pelos "direitos humanos" deixavam de lastrear-se na sinceridade e na honestidade de propósitos.
Os "Fóruns Sociais" serviram de palco para a internacionalização do discurso petista ou para a internação de um modelo fracassado e distribuidor de miséria, redimindo a violência social como meio de luta necessário .
Alguns desgarrados dessa inércia da maioria procuraram resgatar a verdade e desmascarar os "excluídos", mas logo foram ridicularizados "por verem fantasmas" e como órfãos de uma guerra fria já terminada. Afinal aos perdoados as benesses e o regaço da mãe Democracia, pois seus crimes foram obra de "puro ardor revolucionário" contra uma ditadura de militares cruéis.
De súbito, o imponderável fez-se presente e nuvens negras surgiram ameaçadoras no até então sereno horizonte petista. Dois bárbaros crimes contra prefeitos do PT mostravam-se excepcionais instrumentos de exploração política para galvanizar, ainda mais, a militância petista, bem como para marcar a falência da Segurança Pública. Choros e velas assinalavam, firmemente, a violência a um Partido, acima de qualquer crueldade que tenha sido perpetrada contra seres humanos. Aturdida, a sociedade parecia render-se à inexorável escolha do Partido dos Trabalhadores como a nova e definitiva alternativa para a solução de todos os males do Brasil.
Os ventos, porém, mudaram de direção. De forma surpreendente, o "velho camarada Mateus", trouxe o seu insuspeito testemunho sobre a eficácia de uma ação policial coordenada - à moda da ditadura -, o que provocou desastrada reação de um emérito jornalista, de conhecidas ligações à esquerda, simulando trazer rediviva a voz de finado terrorista brasileiro, autor de incontáveis crimes hediondos.
A polícia paulista, sacudida em seus brios por um governo preocupado com reeleição, subitamente, despertou de um sono letárgico, logo apontando para algumas estranhezas em torno de um dos prefeitos assassinados, o que levou o Partido à "indignação", por ver sob suspeita o sentido político do crime.
Não contava o PT com o repentino relembrar da opinião pública sobre a simpatia de seus líderes e do clero progressista aos seqüestradores do empresário Abílio Diniz, para coonestar um crime rotulado como político. Em seguida, e como verdadeiro gol contra, veio o desfecho recente do seqüestro de conhecido publicitário, com a prisão de criminosos sobejamente ligados à violência política. As fortes semelhanças entre os dois seqüestros, no mínimo, deixaram o Partido em maus lençóis, por reforçar a lembrança de sua vocação à promiscuidade com o crime. Valerá a pena agora pedir clemência a um facínora, condenado à prisão perpétua em seu país, entre outras coisas, por assassinar um parlamentar amigo do "ditador" Pinochet?
Valerá agora a pena apoiar, com o beneplácito do rubro D. Paulo Evaristo Arns, a já declarada intenção do neo-socialista governo chileno em buscar a repatriação dos "heróicos" combatentes? Definitivamente, o Partido dos Trabalhadores meteu-se em uma enrascada e agora se debate em um sério e aflitivo impasse: - Ou manter coerência histórica de perseguir as transformações sociais na lei ou na marra, principalmente se na marra significar o emprego da violência - o que agora parece incomodar terrivelmente a opinião pública -, ou, de modo tardio e contrário à militância radical, renunciar ao discurso libertário que sempre lhe tangeu os passos e transformar-se em um partido político como outro qualquer.
Manter os anéis ou perder os dedos? Os anéis têm doído em seus dedos por identificá-lo com um radicalismo perigoso e aventureiro, agora inteiramente desmascarado. Entregar os anéis mitiga o desconforto, mas, por outro lado, desnuda à sociedade dedos débeis e finos, sem nenhum calo ou cheiro de trabalhador, pois que habituados aos palanques do "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço".
Em frente PT! Manter os anéis e os dedos já não engana a sociedade, avessa à violência e que, mais uma vez, dá mostras de condenar a promiscuidade criminosa.
Paulo Carvalho Espíndola é membro do: TERNUMA REGIONAL BRASÍLIA - ternumabrasilia@terra.com.br