Wednesday, September 21, 2005

Dantas diz que interesses políticos dão prejuízo a fundos de pensão
Luiz Filipe Barboza e Fernando Moreira - Globo Online
Em depoimento na sessão conjunta das CPIs dos Correios e do Mensalão, o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, disse que interesses políticos causaram prejuízos aos fundos de pensão. Ele deu como exemplo o episódio da compra pela Brasil Telecom (BrT), em 2000, da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT). Segundo Dantas, a CRT foi adquirida pela BrT por US$ 800 milhões e o negócio poderia ter sido fechado por US$ 550 ou US$ 600 milhões. Os fundos de pensão e a Telecom Italia são sócios do Opportunity na Brasil Telecom. O racha societário na BrT começou exatamente a partir da divergência sobre o valor da compra da CRT. Em julho daquele mesmo ano (2000), os fundos de pensão - parceiros de Dantas também na Telemig e na Amazônia - entraram na Justiça questionando o poder do Opportunity, que quase não colocara dinheiro nas empresas. - Mostramos que estava havendo prejuízo para a companhia (BrT) e, por conseguinte, para os fundos - disse Dantas, em resposta ao relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), sobre o que fizera para impedir o negócio do qual discordava. - E que argumentos eram usados pelos gestores dos fundos para convencer que a negociação não era prejudicial? - quis saber Serraglio. - Que estrategicamente era importante fazer a aquisição. Depois, em algum momento mais tarde, um dos membros da diretoria da Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, sócio na BrT) na época, o senhor Henrique Pizzolato, mandou um relatório onde dizia que a aquisição foi feita por esse preço (800 milhões de dólares) por ter sido pressionado pelo Banco do Brasil. O senhor Henrique Pizzolato mandou esse relatório e eu encaminhei esse relatório ao ministro José Dirceu em um dos nossos encontros - relatou Dantas. Dantas deu também exemplos do que seriam bons negócios para os fundos. Citou o caso da Brasil Telecom: - A Brasil Telecom quando foi comprada por esse consórcio de fundos de pensão tinha R$ 200 milhões em caixa. Hoje tem R$ 2,5 bilhões. Isso aconteceu pela direção de que nós indicamos.