Friday, September 02, 2005

Chavez quer contrle do governo sobre bancos

02/09/2005Chávez quer controle do governo sobre bancos
FINANCIAL TIMES
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Decisão integra projeto de socialização da economia venezuelanaAndy Webb-VidalEm CaracasA Venezuela está se preparando para aumentar o controle político dos bancos privados que operam no país, como parte de uma iniciativa para disseminar o controle do governo "revolucionário" sobre a economia do quinto maior exportador de petróleo do mundo.O superintendente do sistema bancário da Venezuela disse em particular aos diretores de vários bancos que o presidente Hugo Chávez quer colocar dois representantes do governo nos conselhos administrativos das instituições.A medida afetaria os bancos espanhóis Santander e BBVA, que possuem respectivamente o Banco da Venezuela e o Banco Provincial, duas das maiores instituições financeiras do país.Outros grandes bancos que deverão ser afetados são o Banco Mercantil e o Banesco. Uma tentativa de ampliar a influência do governo sobre os bancos instalando representantes oficiais, em vez de assumindo o controle acionário, faz parte da iniciativa de Chávez para introduzir o que ele chama de "socialismo do século 21".Companhias privadas de toda a Venezuela estão sendo solicitadas a adotar a "co-gestão" como modelo preferido de governança corporativa. A aprovação de novos empréstimos de bancos estatais exige que as companhias possuam no mínimo 20% de representação dos trabalhadores em seus conselhos.O governo Chávez também está no processo de implementar um programa de redistribuição da terra das grandes propriedades entre agricultores pobres.No entanto, a medida para estender o controle político aos bancos marcaria uma nova etapa no que os analistas consideram uma "socialização" da economia venezuelana sob Chávez, um aliado estreito do presidente cubano, Fidel Castro.Especialistas disseram que os representantes do governo nos conselhos dos bancos agiriam como "comissários políticos", cujo papel seria garantir que os fluxos de crédito sejam determinados mais por fatores políticos que financeiros."O governo tem um projeto revolucionário e por necessidade isso tem de passar pelo controle do fluxo de crédito", disse Francisco Faraco, um especialista em bancos e consultor baseado em Caracas. "Os representantes do governo agirão como comissários políticos, decidindo quem deve ou não receber crédito."Trino Alcides Diaz, o superintendente bancário e íntimo aliado de Chávez, não foi encontrado nesta quinta-feira (1/9) para comentar.O Legislativo venezuelano, que é rigidamente controlado pelo governo, deverá nas próximas semanas discutir uma nova lei bancária que possivelmente incluirá o conceito de representação governamental nos conselhos administrativos.Os bancos da Venezuela estão entre os mais rentáveis da América Latina, mas também estão muito expostos à dívida do governo. A dívida pública pode representar até 60% dos ativos de um banco. O governo também é o maior depositário individual entre muitos bancos.Dois meses atrás foi aprovada uma lei permitindo que o governo retirasse parte dos quase US$ 30 bilhões em reservas internacionais da Venezuela.