Wednesday, August 24, 2005

TELEFONES DE BURATTI P/PALOCCI

EXCLUSIVOBuratti ligou até para o celular de Palocci 24 de Agosto de 2005
Julia Duailibi e Otávio Cabral

A CPI dos Bingos acaba de receber uma nova leva de registros telefônicos cujos dados comprometem a versão apresentada pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci, em sua entrevista concedida no domingo passado e em nota oficial distribuída à imprensa no dia 12 de agosto passado. Na entrevista, Palocci admitiu que pode ter conversado por telefone, uma vez ou outra, com o advogado Rogério Buratti, seu ex-assessor na prefeitura de Ribeirão Preto, mas disse que não lembrava do assunto. Na nota oficial, disse algo parecido. Afirma que os "dois ou três telefonemas" de Buratti para sua residência em Brasília foram "provavelmente tentativas de contato que não prosperaram".
Os dados que acabam de chegar a Brasília informam que, entre os meses de janeiro e agosto de 2003, Buratti acionou com freqüência os números do ministro - tanto o telefone de sua residência, na Península dos Ministros, em Brasília, quanto o seu celular pessoal. No levantamento da Intelig, aparecem dezoito telefonemas de Buratti para os números de Palocci que, somados, resultam em mais de 42 minutos de conversa. Os dezoito telefonemas foram assim divididos: doze para o celular do ministro e seis para a casa do ministro.
Aparentemente, os dois tiveram muito o que conversar no dia 24 de janeiro de 2003, uma sexta-feira. Nesse dia, Buratti fez nada menos que seis ligações para o ministro. Às 13h36, ligou para o celular de Palocci, mas a conversa durou apenas 1 minuto e 38 segundos. Imediatamente depois, às 13h39, Buratti ligou para o telefone residencial do ministro - e aí a conversa foi longa, com 14 minutos e 49 segundos de duração. Nesse mesmo dia, Buratti voltou a ligar outras três vezes para o telefone residencial de Palocci, tendo encerrado os contatos do dia com uma ligação para o celular do ministro, já à noite. Confira a relação dos telefonemas:
24 de janeiro de 2003, uma sexta-feira:
Às 13h36, Buratti liga para o celular do ministro. A conversa dura 1 minuto e 38 segundos
Às 13h39, Buratti liga para o telefone residencial do ministro. A conversa dura 14 minutos e 49 segundos.
Às 15h56, Buratti torna a ligar para a residência do do ministro. A conversa dura 6 minutos e 1 segundo.
Às 16h18, Buratti liga outra vez para a casa do ministro. A conversa dura 3 minutos e 5 segundos.
Às 16h23, Buratti telefona de novo para a casa de Palocci. A conversa dura 2 minutos e 1 segundo.
Às 21h27, Buratti chama o celular do ministro. A ligação dura apenas treze segundos.
29 de janeiro de 2003, uma quarta-feira:
Às 12h56, Buratti liga para o celular do ministro. O contato dura 1 minuto e 1 segundo.
3 de julho de 2003, uma quinta-feira:
Às 14h41, Buratti liga para o celular do ministro. O contato dura 27 segundos.
6 de julho de 2003, um domingo:
Às 10h56, Buratti liga para a casa do ministro. A conversa dura 1 minuto e 40 segundos
Às 16h19, Buratti volta a ligar para a casa de Palocci. A conversa dura 44 segundos.
7 de julho de 2003, uma segunda-feira:
Às 9h02, Buratti aciona o celular do ministro. A contato dura 22 segundos.
Às 20h13, Buratti volta a ligar para o celular do ministro. A conversa dura 1 minutos e 31 segundos.
22 de julho de 2003, uma terça-feira:
Às 16h08, Buratti liga para o celular do ministro. A conversa dura 3 minutos e 32 segundos
30 de julho de 2003, uma quarta-feira:
Às 13h, Buratti liga para o celular de Palocci. A conversa dura 1 minuto e 7 segundos.
Às 15h21, Buratti liga para o celular de Palocci. O contato dura 1 minutos e 12 segundos.
6 de agosto de 2003, uma quarta-feira
Às 10h38, Buratti liga para o celular de Palocci. O contato dura 56 segundos.
18 de agosto de 2003, uma segunda-feira:
Às 8h36, Buratti liga para o celular do ministro. A conversa dura 1 minuto e 58 segundos.
30 de agosto de 2003, um sábado:
Às 18h47, Buratti liga para o celular de Palocci. O contato dura apenas 17 segundos.
Até o momento da entrevista de Palocci no domingo, conheciam-se apenas os dados relativos à quebra do sigilo telefônico de Buratti enviados à CPI pelo Ministério Público de São Paulo. Esses dados indicavam que Buratti ligara três vezes para o ministro Palocci. Foram duas ligações na madrugada do dia 7 de fevereiro de 2004 (um sábado) e uma ligação duas semanas depois, no dia 21 de fevereiro (também um sábado). As três ligações foram rápidas. Uma durou 1 minuto, outra chegou a 1 minuto e 46 segundos e a terceira, a mais longa, ficou em 2 minutos e 27 segundos. Diante da divulgação desses três telefonemas, Palocci distribuiu uma nota à imprensa em que afirma que recebeu "a informação de que constam registros de dois ou três telefonemas" de Buratti para sua residência, mas ressalva que os telefonemas "foram provavelmente tentativas de contato que não prosperaram". Na entrevista que deu no domingo, Palocci voltou a falar do assunto. Admitiu que pode ter falado com Buratti em 2003, mas disse que não tinha lembrança do assunto. Não garantiu, porém, o número de contatos. "Posso ter me esquecido de um telefonema ou outro", disse o ministro. Agora, com os dados enviados à CPI pela Intelig, a situação mudou. Os contatos foram bem mais do que um ou outro telefonema - e estão longe de ser, pela longa duração de alguns deles, tentativas frustradas de contato.