Saturday, August 20, 2005

SEXO, MIMOS E PODER

ÉPOCA :
Sexo, mimos e poder
As histórias de como a corte petista sucumbiu diante dos encantos

O ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira tem sido obrigado a encarar conversas constrangedoras. Semanas atrás, dois interlocutores tentavam esclarecer as relações de Silvinho, como ele é conhecido pelos petistas, com o lobista Fernando Moura. Este personagem é um amigo íntimo de José Dirceu que se dedicava a prospectar negócios na área de influência da Petrobrás e ciceroneou Silvinho em salamaleques empresariais logo no início do governo Lula.
A conversa foi assim:
- Dizem que o Fernando Moura dava muitos presentes para você.
- É verdade - respondeu Silvinho.
- Ele te deu até um terno da Daslu… Silvinho ficou calado.
Pensou um pouco e, de cabeça baixa, ponderou:
- Não foi um terno… Foi um sapatênis.

A farra acabou com o casamento de 16 anos de Rogério Buratti
A curiosidade em torno de Silvinho é compreensível. Afinal, a trajetória do dedicado militante, arremessado da humilde Osasco para a direção do milionário partido do governo, acabou de forma moralmente escandalosa, atropelada por um jipe Land Rover usado - presente ofertado ao dirigente petista por um fornecedor da Petrobrás, a GDK. Até a última sexta-feira, a empreiteira baiana ainda não havia registrado a devolução do jipe, como Silvio Pereira tinha prometido fazer quando se desligou do PT. O sapatênis da Daslu - o mais barato sai por R$ 1.300 - segue em seu armário. Silvinho é um caso emblemático, mas está longe de ser o único. Além dos crimes contra o patrimônio público, das suspeitas de enriquecimento ilícito, da corrupção eleitoral e dos atos de desmando institucional que povoam três CPIs no Congresso, o mundo petista está deparando com uma avalanche de miseráveis histórias de degradação pessoal. As tentações do poder fizeram sucumbir reputações. Como novos-ricos na corte brasiliense, algumas estrelas da elite partidária propiciaram cenas de deslumbramento explícito. Encantaram-se com o grande poder e as verbas contadas em bilhões, mas não deixaram escapar nem as benesses mais rastaqüeras. Caíram nos golpes do banho de loja - como os sapatênis, os ternos caros, as canetas Mont Blanc e os charutos cubanos - e até nas velhas artimanhas de lupanagem dos negociantes da capital. Esse, por sinal, é um capítulo à parte que começou a vir à tona depois do aparecimento numa sessão do Congresso de um nome digno de novela, Geane Mary Corner. Ela é uma cafetina popular nas altas-rodas de Brasília e a simples menção de seu nome deixou desesperada muita gente de boa fama. Nos últimos dias, ÉPOCA - conversando com políticos, garotas de programa, garçons e outros personagens da noite brasiliense - descobriu detalhes da recente vida mundana da capital. Em troca de depoimentos francos, a revista concordou em não revelar identidades. O único que não pode mais se esconder é o militante petista Rogério Buratti, flagrado em conversas com garotas de programa por um grampo telefônico em poder da Justiça. No caso dele, a esbórnia devastou um casamento de 16 anos.