Monday, August 22, 2005

MINISTRO OMITIU CONTRATO

Ministro omitiu contrato com Leão & Leão
Evandro Spinelli
Especial para O GLOBO RIBEIRÃO PRETO, SP.
A Prefeitura de Ribeirão Preto mantém dois contratos para os serviços de limpeza pública com a empresa Leão & Leão, que foi presidida por Rogério Buratti, ex-assessor do ministro Antonio Palocci. Um desses contratos foi assinado em 2002, na gestão do então prefeito Palocci. Na entrevista coletiva concedida ontem em Brasília, Palocci lembrou que o contrato foi assinado na gestão de seu antecessor, Luiz Roberto Jábali (PSDB), mas omitiu a existência de um segundo contrato com a Leão & Leão, este para manutenção do aterro sanitário e coleta de destinação de lixo hospitalar. Para o prefeito do Rio, Cesar Maia, que ontem denunciou a existência do contrato para administração do aterro sanitário em seu blog, Palocci mentiu ao dizer que em sua gestão não foi realizada licitação na área de lixo. Cesar Maia divulgou cópia do segundo contrato, que foi assinado em fevereiro de 2002 pelo Daerp (Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto). O atual prefeito de Ribeirão Preto, Welson Gasparini (PSDB), já criou uma comissão para elaborar o edital de uma nova licitação para os serviços de coleta de lixo e varrição de ruas. O atual contrato vence em novembro deste ano. Na entrevista de ontem, Palocci se referiu apenas a mais um contrato, este assinado sem licitação com a empresa Leão & Leão para coleta de galhos de árvores após um temporal na cidade. Ele explicou que o contrato, no valor de apenas R$ 140 mil, foi celebrado em caráter de emergência por causa das chuvas, e por isso não houve licitação. Após derrota de petista, queda de R$ 500 mil no preço Palocci não fez referência ao contrato em vigor para o aterro sanitário. Ele explicou que o contrato para coleta de lixo, celebrado no mandato de seu antecessor, custa à Prefeitura de Ribeirão Preto R$ 10 milhões por ano. À noite, assessores do ministro explicaram que, como o contrato para o aterro sanitário não estava sendo questionado pelos jornalistas, o ministro decidiu também não tocar no assunto. Dados obtidos pelo O GLOBO mostram que o Daerp pagou mensalmente, até outubro do ano passado, R$ 2,4 milhões pelos serviços prestados pela Leão Ambiental. A partir de novembro, coincidentemente depois da derrota do candidato petista à prefeitura, Gilberto Maggioni, o valor caiu para R$ 1,9 milhão — R$ 500 mil a menos. Esse valor mensal tem se mantido até hoje, apesar de terem sido incorporados ao contrato os serviços de uma frente de trabalho e de ter havido um aumento em julho deste ano de cerca de 10% nos valores pagos, percentual equivalente à inflação dos 12 meses anteriores. Na sexta-feira, Buratti, que foi secretário de Governo de Ribeirão Preto na primeira gestão de Palocci na prefeitura (1993-96), afirmou em depoimento à Polícia Civil e ao Ministério Público que o ministro, durante seu segundo mandato, recebia propina de R$ 50 mil por mês para manter os contratos de lixo. Além de ter sido assessor de Palocci, Buratti era, no período em que a propina teria sido paga, diretor do grupo Leão & Leão. Ele ocupou vários cargos na empresa, inclusive o de presidente da Leão Ambiental e de vice-presidente do grupo